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Contando as Letras: Quincas Borba, de Machado de Assis

Quincas-Borba-Machado-de-AssisOlá, queridos reclusos de todo o Brasil e de todo o mundo! Como estão nesse dia tão lindo? Espero que bem ☺ hoje eu trago a resenha de Quincas Borba, esse clássico da literatura brasileira que eu vinha adiando a leitura a longos seis anos. Esse, inclusive, foi o livro que eu escolhi para o tema de junho do Clube de Leitura Serendipity (um livro nacional) e, cá entre nós, tem livro mais nacional do que um de autoria do Machado de Assis? Então vamos para a resenha!

Com 152 páginas e sendo escrito pelo incrível Machado de Assis, Quincas Borba conta a história de Rubião momento trolada e como foi sua vida após a morte de Quincas Borba. Pronto, fim de resenha 😂 só que não. Claro que tem mais.

A noite era clara; fiquei cerca de uma hora, entre o mar e a sua casa. A senhora aposto que nem sonhava comigo? Entretanto, eu quase que ouvia a sua respiração. O mar batia com força, é verdade, mas o meu coração não batia menos rijamente; com esta diferença que o mar é estúpido, bate sem saber por que, e o meu coração sabe que batia pela senhora.”

Quincas Borba é o melhor amigo de Rubião e um cara podre de rico (pelo que eu entendi). Ele tem uma filosofia de vida bem louca e tem um cachorro que leva o mesmo nome dele (ou seja, que também chama Quincas Borba). Rubião assiste seu amigo enlouquecendo e atribui esse episódio à filosofia de Quincas, mas este crê que um dia Rubião há de lhe entender.

Enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo cansativo, mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio da vida.”

Um belo dia Quincas Borba morre, deixando Rubião como herdeiro universal de sua fortuna. Sim, Rubião é sortudo. A única condição que Quincas pede em testamento é que Rubião cuide de Quincas Borba, o cachorro, até que ele morra. No começo Rubião pensa todas as formas possíveis as quais as pessoas poderiam alegar que ele não é merecedor da herança, por não cuidar do cão, mas depois passa.

Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. […] Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.”

Rubião decide mudar da cidade de onde morava em Minas para outra cidade no Rio, conhecendo Palha e Sofia e tornando amigo deles. A história é, basicamente, sobre como Rubião conseguiu assimilar a sua fortuna e como conseguiu lidar com as falsianes da vida. Creio eu que essa introdução por si só basta e qualquer coisa que eu venha falar além possa ser spoiler. Agora vamos ao que eu achei disso tudo.

Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói.

Eu imaginei umas trezentas hipóteses de sobre o que era a história desse livro: alguma história de romance de Rubião; a história de como Quincas Borba fingiu sua morte para testar a fidelidade de Rubião ao testamento; como Rubião se tornou o dono do mundo… Várias e várias hipóteses que se alteravam a cada capítulo novo. Sei que Machado teria competência para escrever cada uma dessas hipóteses, acontece que eu havia me esquecido que não é do feito de Machado florear uma história mais que o necessário. Acreditem, o propósito desse livro é tratar de algo bem mais realista do que apenas os romances que Rubião teve após chegar ao Rio.

Sobejam exemplos; mas basta um contozinho que ouvi em criança e que aqui lhes dou em duas linhas. Era uma vez uma choupana que ardia na estrada; a dona – um triste molambo de mulher, – chorava o seu desastre, a poucos passos, sentada no chão. Senão quando, indo a passar um homem ébrio, viu o incêndio, viu a mulher, perguntou-lhe se a casa era dela.

– É minha, sim, meu senhor; é tudo que eu possuía neste mundo.

– Dá-me então licença para que acenda ali meu charuto?

O padre que me contou isto certamente emendou o texto original; não é preciso estar embriagado para acender um charuto nas misérias alheias.”

Creio eu que li esse livro na hora certa, pois, mesmo tenho ganho ele em 2010, eu não teria condições de assimilar algumas coisas antes e não conseguiria ler sem ter de parar todo o tempo para pesquisar significado de palavra. Aliás, como em livros clássicos, a escrita dele condiz com a linguagem da época, mas nada muito difícil e que não possa ser compreendido com pouco tempo. Diferente de A Crisálida, Quincas Borba é compreensível, mesmo em sua linguagem mais antiga.

Que era há um ano? Professor. Que é agora! Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade.”

Ainda não sei dizer se gostei muito ou mais ou menos, estou tendo sentimentos contraditórios acerca desse livro e posso explicar: como havia dito acima que imaginei várias hipóteses, acabei criando uma expectativa errada em cima desse livro, mas creio que, se não tivesse criado expectativa nenhuma sobre o final, teria aproveitado melhor a leitura. Recomendo esse livro para quem deseja ter um vislumbre melhor de o que a riqueza pode fazer com as pessoas e pra todos que gostam da literatura brasileira. Machado, você acertou demais!

Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é a condição de sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra.

De 5 estrelas não sei quantas dou 😂 as minhas decepções não são culpa do livro, mas eu também achei que o final foi muito… Rápido. Tudo aconteceu muito rápido no final. Okay, dou 4 estrelas por isso. Não, 5! Ah, não sei, apenas sei que ao vencedor, as batatas! Deixem essa nota em aberto, leiam e tirem suas próprias conclusões, combinado? Espero que tenham gostado do Contando as Letras de hoje! Já leu esse livro? Comente aqui o que você anda lendo, se já leu ou se pretende ler Quincas Borba, quero saber tudo! Inclusive, caros reclusos, deixo aqui um grande abraço e um aviso: estou de férias! Do blog? Sim, do blog. Passarei alguns dias viajando e estarei sem internet :/ mas estarei trabalhando em novidades para vocês, logo, daqui até o fim do mês Eve e Ana (espero eu) estarão aqui com vocês, okay?  Eu vou ficando por aqui, um grande beijo e até Agosto!

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8 comentários em “Contando as Letras: Quincas Borba, de Machado de Assis

  1. Ann eu não conheço essa história, mas eu tbm fico indecisa na hora de classificar um livro clássico, eu tbm fico com essa sensação de não dizer se o livro é bom ou não, ou o quanto absorvi dele… Vai entender não é? rs Bjos e boas férias para você! 🙂

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