Cartas e Escritos

Cartas Alternativas #03

Quem se recorda desse quadro, nascido durante o flopado BEDA e que foi um dos mais proveitosos ao meu coração? Vamos a mais um episódio dele aqui:

Oi, menina-moça. Tudo bem?

Bom, hoje estive relendo nossas mensagens e fazer isso me trouxe muito conteúdo para essa carta, acredite. Talvez ela fique um pouco grande.

Nos encontramos num contexto curioso para alguém como eu: um grupo de Facebook. Apesar de aquele ser meu quadragésimo grupo diferente, sempre soube que ele não era SÓ mais um. Sempre foi diferenciado e sempre me fez bem. Voltando.

Num dos vários posts de “crush de amizade” te achei. Tu disse ter crush em mim e, convenhamos, era recíproco. Você pra mim era a garota alternativa (com o perdão do trocadilho) cheia de amigos, popular e admirada pelos ghosts, quase uma Clara na vida, só que menos endeusada (ao menos para mim). Era essa a forma que te via e foi quase um choque para mim quando soube que tu queria ser minha amiga.

Apesar de eu ter demonstrado ser uma pessoa preocupada contigo desde o primeiro dia de conversa (na ocasião em que você disse não comer quase nada durante o dia), eu me sinto culpada pelo que fiz e ao ponto em que chegamos. Acontece que, como eu não queria falar desse ponto ainda, agorinha volto.

Eu meio que me fiz de cega o tempo todo. Achei que só minha presença e a tentativa de te animar mudariam seu dia. Eu nunca fiz nada, de fato, além do meu comodismo para te ajudar. Eu nunca quis nem saber o que você vivia, ou melhor, quais eram suas reações frente ao que acontecia na sua vida. Problemas? Okay, eu estava lá e queria que você melhorasse, mas olhando para tudo hoje… Vejo que não entrei de cabeça onde eu precisava entrar. Acabei fingindo que eu tinha poderes mágicos para te melhorar sozinha e ignorei, na minha mente, tudo o que você vivia. Eu queria te deixar numa bolha, só que eu esqueci que tu tinha que aprender a vestir uma armadura para encarar o mundo de frente, não entrar numa bolha para fugir dos seus problemas.

Ontem eu falei com Amora (tu deve saber de quem estou falando) sobre você, daí lembrei que fazem alguns meses desde a última mensagem que você me mandou. “VAMO SE ABRAÇAR” era o conteúdo dela, literalmente assim. Eu nunca mais te respondi, mas não por egoísmo. Eu estava ainda no início de um processo de autoconhecimento que não me permitia ter o mesmo relacionamento contigo de antes, tanto que o tempo passou. Eu mudei e você também. Suas dores ainda estão aí e aposto que uma das únicas – se não A única – coisas que você aprendeu comigo (se aprendeu algo) foi da importância da boa alimentação, mas suponho que tu deve ter deixado a prática de lado também. Suponho que nada do que eu tentei plantar tenha, de fato, dado frutos.

Eu tinha métodos errados, me perdoe.

A finalidade dessa carta hoje para você? Nos propor um recomeço. Eu quero te ajudar, mas não te colocando numa bolha. Eu quero te ajudar a crescer, esse foi meu objetivo quando te conheci, mas quero fazer do jeito certo.

Uma das minhas principais mudanças foi no que tange à minha fé, queria te mostrar com isso como tudo pode ser diferente. Podemos ver o mundo melhor, podemos adquirir resiliência para enfrentar as dores que nos atingem, podemos tanto… Só preciso que você entenda e aceite, o que pode não ser fácil. Eu não te abandonei, só tenha isso em mente.

Ainda penso em você e oro para que tu conheça o verdadeiro amor: Aquele que ama quem somos, não quem nós temos que ser; Aquele que entende nossas dores e quer nos ajudar (sério, eu vivo isso; não é ilusão, é real). Aquele que nos formou e nos conhece. Aquele que te fez.

Eu quero te ajudar a ser alguém melhor a cada dia, a agir melhor com as situações, mas tudo depende de você. Só não esqueça que me importo com você, por mais que pareça que não. Ah, e sinto falta das suas 300 mil fotos diárias de cada passo que você dava.

Com muuito amor no peito,

Lu ❤

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