BEDA · Cartas e Escritos · Projetos e Apresentações

[Especial Páscoa #1] – O Renascer da Esperança

Já é domingo, o sol ainda nem nasceu. Talvez só agora eu tenha de dado conta do quanto a dureza e o peso do cotidiano me acertaram com força – e como isso irá perdurar por muito tempo. Não há esperança de como melhorar e tornar as coisas mais fáceis, não mais. A única esperança que eu tinha se foi.

Enquanto me levanto e faço minha oração matinal, clamo em baixa voz a Yahweh. Deus, por que permitiu a morte dele? Aquele que veio em Teu nome, dizendo ser Teu filho e dizendo estar trazendo o Teu Reino… Por quê? Eu não entendo bem como isso pode ter acontecido, já que ele sempre dizia que traria liberdade para nós e, veja bem, os nossos opressores o mataram.

É hora de eu ir ao túmulo dele para cuidar de seu corpo com as especiarias, como combinei com Maria, Joana, Salomé e Tiago, já que ontem não podia fazer isso. O sábado. Esse, inclusive, era o dia em que ele mais gostava de curar e realizar seus sinais… Só que ele se foi.

Me arrumo, lavo o rosto e sigo em direção ao túmulo em que José, um homem vindo de Arimatéia, colocou o corpo dele. Ouvi dizer que alguns guardas estão na entrada, mas eles não podem negar entrada a mim. Ou podem? Isso eu descubro lá, apenas preciso ir.

Enquanto caminho percebo os comentários daqueles poucos que já estão nas ruas. São baixos sussurros, já que ninguém quer ser pego pelos romanos tramando contra o governo e apoiando um traidor. Qualquer cuidado é pouco. Apenas prossigo minha jornada com um pensamento como remover a grande pedra que sela a entrada do túmulo?

Ao me aproximar do local sinto um forte terremoto, é como se a própria terra chorasse a morte do Mestre, no entanto quando chego mais perto da entrada do túmulo percebo de longe algo muito estranho: a pedra do túmulo está aberta! Me aproximo o suficiente para olhar e constato o impensado, o corpo do Mestre não está mais lá! Saio correndo pelas ruas e procuro João e Pedro, os encontro dentro da casa onde os doze estão se escondendo e conto o que vi. Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o colocaram!, digo aos prantos, então voltamos para lá.

Tudo que ronda a minha mente é o desespero. Já não bastava o nosso senhor ter morrido injustamente, agora levaram o corpo dele? Já não nos é sofrimento o bastante? O que faremos agora, sem nosso senhor e sem o seu corpo? Não nos resta mais esperança… Deus, por que Tu deixastes? Por que tamanho sofrimento a nós? Queres tirar tudo que temos?

João e Pedro entram no túmulo, apenas para constatar a notícia do desaparecimento do corpo do Mestre. Pedro disse que ficaram apenas as faixas que enrolamos no seu corpo e o pano com que cobrimos seu rosto. Eles insistem para que eu os acompanhe, mas eu não quero ir embora agora, eu sinto que não posso. Digo a eles que em breve volto, e enquanto vejo a miniatura deles sumir pelas árvores, me prostro à entrada do túmulo e caio em terra, aos prantos.

Depois de muito chorar, levanto meus olhos para dentro do sepulcro e vejo dois homens. Claro que não são nenhum dos doze, pois não os reconheço, mas ambos estão vestindo vestes resplandecentes e alvas, tanto quanto o mais limpo algodão. Cada qual sentado em uma extremidade do local onde o corpo dele estava e ambos olhando para mim. Mulher, por que você está chorando?, me perguntaram. Não, eles não sabem o que aconteceu e não são daqui, como não saberiam o que houve a uns dias atrás?

Levaram embora o meu Senhor, respondi a eles, e não sei onde o puseram. Concluí que não valia a pena ficar naquele lugar, apenas para sofrer mais com tamanho sofrimento. Levantei e me virei para ir embora, quando me deparei com um homem que me perguntou Mulher, por que está chorando? Quem você está procurando?

Esse homem parece conhecer esse lugar, talvez ele tenha visto algo, ou quem sabe não seja ele mesmo o responsável pelo desaparecimento do corpo do Mestre! Se o senhor o levou embora, diga-me onde o colocou, e eu o levarei.

A força das lágrimas vieram e ameaçaram irromper com violência, mas consegui conter. O que me beneficiaria chorar tanto na frente de tantos desconhecidos?

Maria

Espere. Eu conheço essa voz.

Em qualquer lugar do mundo eu conheceria essa voz, a doce voz do Mestre! Mas como seria possível? Tantos pensamentos em milésimos de segundo e então gritei o que minha alma tanto desejava.

Raboni!

Me prostro aos pés do Mestre e os beijo, o adoro por estar aqui, vivo, e agradeço a Yahweh por ter ouvido minhas preces. Jamais poderia expressar no mundo o tamanho da gratidão que sinto, numa intensidade tamanha que sobrepuja toda a dor e todo o sofrimento de antes.

Apesar de querer fazer o tempo parar para contemplar a vida do meu senhor, ele pede que eu anuncie sua ressurreição. Assim o faço, me levanto e sigo em direção à cidade, procurando todos aqueles que estavam com Ele para anunciar que Jesus está vivo!

Cristo ressurgiu de dentre os mortos e vive, sua vida pulsa dentro de todos aqueles que crêem em Seu nome e sua vida é o preço que nos garante uma vida inteira e eterna ao lado do Pai, nosso Pai – como Ele próprio nos ensinou a chamar.

A morte não foi forte o bastante para vencer a vida e a vida nos convida a caminhar com ela. O que comemoramos hoje vai muito além da morte, é a esperança de que a vida de Cristo que mora em nós irá nos levar para junto estar do Pai pela eternidade. Esse é o convite que Ele reintera o tempo todo. Esse é o convite que Ele faz a mim e a você, agora mesmo.

Aceite. Ouça Ele chamando seu nome, se renda aos Seus pés e anuncie ao mundo que Ele vive, reina e irá voltar.

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