Chovia aqui dentro, bem como lá fora. As águas inundavam de tal forma tudo o que via, de todas as formas, que mais não lembrava como era o sol, o calor.
Olhei pelo vidro embaçado da janela e só vi água. Chuva, chuva, chuva. A presença do frio que, certa vez me explicaram, é a ausência do calor, ou seja, não é algo que realmente exista, mas é a reação natural a algo tão essencial.
Saudades de quando me sentava sob a luz do sol e sentia o calor percorrer a minha pele, provocando aquele tão conhecido aquecimento. Considerando a quantos dias essa chuva insiste em cair aqui – dentro e fora – creio que irei desfalecer no frio.
Tua ausência no meu cotidiano me trouxe a onde estou, me perdi na minha atarefada rotina e não sei onde vim parar. Te queria aqui agora, sei que esse frio iria embora tão rápido quanto chegou. Tua presença muda tudo quando vem e eu nada posso contra ela, apenas aproveitar… Mas ela não está aqui. Você não está aqui. Tudo bem, eu me acalmo.
Essa janela, minha conexão com o que acontece lá fora, é o que me resta. Me acomodo de forma que ela seja minha constante visão.
Horas passam.
Dias se vão.
Talvez seja minha mente doente, mas é como se uma vida inteira já houvesse corrido, apesar de eu saber que não tem tanto tempo assim, tem? Vejo um vulto pela janela, quem será a uma hora dessas? Quem cruelmente violaria a casa e a mente de alguém que já sofre e desfalece no frio congelante da constante chuva? Visões atordoadas, concluo.
Batem à porta.
Me levanto e abro.
Meu milagre vem, Você.
~ℜ~
Chovia aqui dentro desde a mais remota possibilidade da Sua ausência. Choveu por longos dias, até eu me dar conta de Sua presença aqui de novo.
Vi Tua obra e acompanhei Seu agir um dia inteiro.
Tão preocupado, pintando e pintando de novo o Seu quadro, brincando com as cores do céu e com as nuvens de algodão. Apagou e refez o dia todo, não porque não tenha ficado bom. Refez e refez e refez. Do amanhecer ao pôr-do-sol, redesenhou o céu conforme as horas do dia numa simetria majestosa.
Enquanto eu acompanho o fim da Tua bela obra, não deixo de pensar. Quais meus motivos para chorar ou para chover? Quais motivos teria eu para deixar a tristeza se abater? Se com as cores celestes está preocupado, as retocando e mudando a todo instante, quão mais não estaria comigo?
O quanto não desejas me retocar e mudar, até que eu Lhe agrade?
Quão belas são as obras de Suas mãos. Se ao que dissestes “bom” agrada aos meus olhos, como não será ao que dissestes “muito bom”? Pinta e refaz, muda tudo de lugar, até que ao Teu gosto esteja eu. Não me importo que isso se repita todos os dias, como tua belíssima pintura celeste, apenas que esteja eu em Tuas mãos. Te pertenço.

Esse texto foi escrito para a Blogagem Coletiva do grupo Blogs Up, com um texto que inicie com “chovia aqui dentro”. Obrigada por acompanharem até aqui e até amanhã com mais BEDA!
Que texto lindo! Você escreve muito bem, amei a forma que você brincou com o clima e as palavras, parabéns!
Skyscrapers
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Que bom que gostou do texto, foi escrito com muito amor 💕 obrigada pelo comentário, volte sempre!
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Que texto bonito. Adorei o modo como você trabalhou o tema da blogagem e combinou a história com a narrativa em primeira pessoa. O mais interessante é que, como na segunda parte a pessoa encontra a presença de Deus, eu fiquei ponderando se ela morreu nesse momento. Se o divisor de águas da tristeza para a alegria foi o fim dos tormentos terrenos ou se foi um encontro (ainda que metafórico) ainda em vida. Adorei que o texto me fez pensar nos detalhes.
xoxo
Rê
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Poxa, Rê, que honra te ter por aqui lendo um texto meu! E você pensou em uma hipótese que eu não havia cogitado bem, mas o divisor de águas é um encontro ainda em vida, já que escrevi a segunda parte do texto com base em uma experiência própria 😁 obrigada pela visita, pelo comentário 💕 beijão enorme e volte sempre que quiser, viu?
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Texto muito bonito e profundo, nota-se que foi feito com muito amor. Parabéns! 😊
Beijinhos
https://acordomeuverniz.blogspot.pt
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Sim, foi ❤ obrigada pelo comentário, volte sempre!
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Adorei essa oposição frioXcalor que você fez,e a suavidade com que o texto decorre,mesmo sendo ele relativamente pesado.
Ficou ótimo,parabéns ❤
Beijos ^.^
PS:Esse tema faz parte da Blogagem Coletiva amore rs 😀
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Eu vi depois XD mas já arrumei (obg por lembrar) e que bom que gostou ❤ espero que volte mais vezes, tá? Beijão!
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Amei como descreveu seu deus pintando o céu, ficou muito poético *o*. Senti que você colocou bastante amor no texto.
Com amor,
❤ bruna-morgan.blogspot.com ❤
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Que bom ter gostado, espero que volte mais vezes 😊 obrigada ❤
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Olá! Que lindo texto, você escreve tão bem! Achei tão poética a forma como retratou o clima, o céu, as cores… parabéns pelas palavras!
Beijos! ❤
Metamorphya••• Particpe do Sorteio de 1 Ano do Blog!
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Obrigada pelas palavras, que bom que gostou 😊 espero que volte mais vezes aqui, tá? Obrigada ❤
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